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Lúpus Eritematoso Sistêmico: O que Pacientes e Familiares Precisam Saber


O lúpus é um tipo de doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico, responsável por combater microorganismos e células cancerosas, passa a atacar por engano as células saudáveis do próprio corpo. Essa resposta autoimune pode afetar qualquer parte do organismo, resultando em sintomas variados como manchas na pele, sendo a mais comum em formato de borboleta no nariz e bochechas após exposição solar, além de queda de cabelo, dor no peito, dificuldade para respirar e facilidade para ter hematomas. A doença também costuma causar dor e rigidez nas articulações, inchaço nas mãos, pés, barriga ou ao redor dos olhos, feridas na boca e dedos que ficam pálidos ou azulados quando expostos ao frio. Além dos sintomas físicos, o lúpus pode dificultar a clareza de pensamento e provocar sentimentos de ansiedade ou tristeza, muitas vezes devido à dificuldade de lidar com a própria condição.

Não existe um exame único para diagnosticar o lúpus, por isso os médicos utilizam uma combinação de avaliação dos sintomas, exames físicos, testes de sangue e urina para chegar a uma conclusão. O tratamento é personalizado de acordo com os sintomas de cada paciente e pode incluir diversos medicamentos, como hidroxicloroquina para tratar problemas de pele e articulações, esteroides para reduzir a resposta imunológica em casos de crises graves, e imunossupressores para diminuir a atividade do sistema de defesa. Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) também são frequentemente utilizados para aliviar dores articulares e musculares.

O lúpus e a doença renal estão frequentemente relacionados, sendo que pessoas com lúpus apresentam uma probabilidade muito maior de desenvolver problemas nos rins do que a população em geral. A condição específica em que o lúpus afeta esses órgãos é chamada de nefrite lúpica, embora pacientes com lúpus também possam desenvolver doenças renais por outras causas, como o diabetes. Os rins desempenham o papel vital de filtrar o sangue e produzir urina, e quando são afetados pela nefrite lúpica, os sintomas podem incluir inchaço nas mãos, rosto, pés, barriga ou ao redor dos olhos, além de alterações de peso, cansaço extremo e urina com aspecto castanho ou espumante. Outros sinais importantes são a redução na frequência urinária e o aumento da pressão arterial acima de 130/80 mmHg, embora algumas pessoas possam não apresentar sintomas visíveis inicialmente.

Para diagnosticar a nefrite lúpica, médicos realizam exames regulares de sangue e urina em pacientes com lúpus, e caso os resultados indiquem anormalidades, pode ser necessária uma biópsia renal, procedimento no qual uma pequena amostra do tecido do rim é removida com uma agulha para análise detalhada. O tratamento é essencial para evitar que a doença progrida para uma insuficiência renal grave, o que exigiria diálise ou um transplante de rim. Geralmente, o tratamento envolve o uso de medicamentos esteroides e outros fármacos que suprimem o sistema imunológico para interromper o ataque aos rins, além de remédios para controlar a pressão arterial, que ajudam a proteger a função renal.

Além do tratamento médico, o paciente pode adotar medidas práticas para gerenciar a doença e melhorar sua qualidade de vida. É fundamental evitar a exposição solar direta, utilizando protetor solar, chapéus e roupas que cubram o corpo, já que o sol pode desencadear crises de pele ou outros sintomas. Manter uma rotina de exercícios físicos leves e não fumar são hábitos essenciais para proteger o coração e os pulmões, que podem ser afetados pelo lúpus. Para mulheres que planejam engravidar, é possível ter uma gestação bem-sucedida, mas o planejamento deve ser feito com antecedência junto ao médico para garantir que a doença esteja controlada e que os medicamentos em uso sejam seguros para o bebê. O acompanhamento contínuo e a comunicação aberta com a equipe de saúde são as melhores estratégias para viver bem com o diagnóstico.

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Rodrigo Vidaurre

Médico Reumatologista

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