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Síndrome trocantérica: uma importante causa de dor no quadril

Síndrome Trocantérica (anteriormente bursite trocantérica)

A síndrome trocantéricaé uma das causas mais comuns de dor lateral no quadril em adultos. Na maioria das instâncias, é devida a uma tendinopatia do glúteo médio ou glúteo mínimo, com envolvimento variável das bursas regionais. Historicamente, o termo “bursite trocantérica” era usado para descrever qualquer dor ao redor do quadril lateral.

No entanto, estudos de imagem avançados e histopatológicos mostraram que o envolvimento das bursas trocantéricas em pacientes com dor lateral no quadril é incomum e, quando presente, existe como um achado secundário ou associado. Assim, bursite trocantérica é um termo impróprio quando usado para descrever todas as causas de dor lateral no quadril. De fato, a bursite trocantérica primária é muito rara e é tipicamente de etiologia microbiana.

Histórico e Epidemiologia

A síndrome de dor no grande trocanter é comum. A idade habitual de apresentação é acima de 50 anos, e a proporção de mulheres para homens é de aproximadamente 4:1.

Os fatores de risco  incluem sexo feminino, obesidade, dor no joelho e dor lombar. Outras condições associadas incluem escoliose, outros distúrbios de coluna  (especialmente estenose de canal lombar), discrepância no comprimento das pernas, artrite (de qualquer etiologia) do quadril, joelho e pé, além de distúrbios dolorosos do pé, como fascite plantar, tendinopatia de Aquiles, joanete, neuroma de Morton ou calosidades.

Etiopatogenia e Anatomia Relevante

A síndrome trocantérica é uma tendinopatia de sobrecarga repetitiva dos músculos glúteo médio e mínimo, que desempenham um papel primário na abdução do quadril e estabilização pélvica ao caminhar, subir escadas, correr e permanecer em um pé só.

Avaliação Diagnóstica e Apresentação Clínica

O diagnóstico é feito em pacientes com presença de dor lateral no quadril e sensibilidade local à palpação do grande trocanter, mais marcada em sua faceta superoposterior. A dor aumenta com a deambulação, permanência prolongada em pé, ao levantar-se de uma cadeira, subir escadas, subir inclinações e com pressão direta ao deitar sobre o lado dolorido. Os pacientes frequentemente relatam despertar à noite ao rolar sobre o lado afetado.

A parte mais útil da avaliação clínica é pedir ao paciente para “apontar onde está a dor”. Pacientes apontam para o quadril lateral sobre o trocanter, enquanto aqueles com patologia subglútea apontam para o quadril posterior, e aqueles com doença articular do quadril apontam para a virilha e a face anteromedial da coxa. A SDGT pode impactar negativamente a qualidade de vida de forma semelhante à osteoartrite de quadril em estágio terminal. Fatores psicológicos, como catastrofização da dor, também podem estar associados a casos mais graves.

Exames de Imagem

Estudos de imagem raramente são necessários na avaliação inicial de SDGT isolada. O ultrassom pode identificar a lesão tendínea específica e bursas distendidas. A ressonância magnética (RM) fornece o maior detalhe de tendinose, rupturas, atrofia muscular e edemas.

Tratamento

A síndrome trocantérica é uma condição autolimitada na maioria dos pacientes, com melhoria em alguns meses, embora possa durar até dois anos. O objetivo é aliviar sintomas e prevenir incapacidade

Manejo Inicial: Inclui combinação de exercícios, modificação de atividades, alívio da dor com AINEs orais ou infiltração de glicocorticoide, e tratamento de comorbidades.

  • Exercícios e Fisioterapia: Sugere-se carga isométrica dos glúteos e fortalecimento de quadríceps e panturrilha. Um estudo mostrou que educação mais exercícios teve taxa de sucesso superior (77,3%) à infiltração (58,5%) ou nenhum tratamento (29,4%) em 8 semanas.
  • Infiltração de Glicocorticoide: Oferece benefício a curto prazo.
  • Comorbidades: Correção de discrepância de pernas (acima de 2 cm) com calcanheiras, redução de peso para obesos e condicionamento aeróbico são recomendados.

Sintomas Persistentes: Se não houver melhora em dois a três meses, deve-se reavaliar o diagnóstico e a adesão.

Links relacionados:

https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/4964-trochanteric-bursitis

https://www.sbquadril.org.br/bursite-trocanterica/

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Rodrigo Vidaurre

Médico Reumatologista

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